Por que a rotatividade em empresas que empregam pessoas criativas é grande?

Esse texto foi publicado originalmente por mim, no caderno Admite-se do Jornal Estado de Minas

O mercado da criatividade está em crise. Não, não é por falta de mão de obra nem de clientes (por enquanto). O motivo é a unanimidade da resposta que se tem ouvido desses profissionais quando questionados: “Para você, qual é o melhor lugar do mundo para trabalhar?”. – “No meu próprio negócio”. O salto de empregado para CEO (sigla em inglês que significa Diretor Executivo) é a bola da vez. Quando falamos de pessoas que trabalham com internet então, a vida útil da CLT parece ter os dias contados.

“Você não precisa ir à faculdade para ser um empreendedor ou para desenvolver um software”, afirmou com veemência o desenvolvedor John Meyer, que aos 19 anos recusou propostas da Apple, do visionário Steve Jobs. Segundo ele, as chances da empresa voltar a contactá-lo são infinitas, o que faz dele e tantos outros jovens assumirem o risco ao invés de se preender a uma rígida estrutura do mercado de trabalho tradicional.

Entretanto, trabalhar em grandes empresas ainda é o sonho de muita gente, até mesmo para ganhar notoriedade e portfólio para um dia abrir o próprio negócio. Mas porque é tão difícil reter esses profissionais? Há uma grande dificuldade das empresas em tornar um trabalho subjetivo em algo prático e matematicamente racional, a começar pela contratação e descrição do perfil profissional que está buscando.

Existe um erro muito comum (e aí nao só em empresas que buscam criativos) que é diferenciar o trabalho prescrito do trabalho real. Durante a entrevista há uma lista de habilidades exigidas do candidato, que está muito longe do que realmente vai acontecer quando ele assumir a vaga. Erro esse, que começa quando quem vai entrevistar é o dono da empresa ou o setor de Recrutamento e Seleção sozinho, sem acompanhamento de alguém da área específica, que podem estar muito distantes da realidade do trabalho no dia a dia.

É preciso compreender ainda, que os valores empregatícios da geração Y que já experimenta o mercado não são os mesmos de seus pais, que comemoram décadas trabalhando em uma mesma empresa. O que esses jovens almejam de um empregador é um reconhecimento a curto prazo – e não estamos falando de dinheiro apenas. Eles querem ver sua assinatura nos principais projetos e serem autores de sua própria carreira. Não se trata mais de construiur um bom currículo, mas de construir um portfólio próprio para poder compartilhar no seu LinkedIn.

E não é só um elogio que vai manter o entusiasmo. É um reconhecimento público, uma confiança no potencial e o principal, a sensação de liberdade. Trabalhar com criatividade exige um esforço que está além do horário comercial e dos interesses da empresa especificamente.

Isso não significa abrir mão das regras e acordos contratuais que o próprio Ministério do Trabalho exige. Ter seus direitos assegurados também é o mínimo que um profissional espera. Todavia, eles carecem de uma ocupação que faça sentido e que vá de encontro às suas próprias missões, visões e valores. Quando o sujeito não se enxerga em uma organização, o caminho não é outro senão o adoecimento próprio ou coletivo, via contaminação dos colegas.

 

Saúde criativa X salário

Embora seja uma reclamação recorrente, o salário não é necessariamente o que motiva. Quando o funcionário começa a se prender (ou não) em uma empresa simplesmente por uma questão financeira, significa que a relação já não vai bem. Sabe porque? Muitos jovens deixam seus empregos fixos para viver um sonho profissional que as quatro paredes de uma empresa não permitem, muitas vezes à troco de uma remuneração mais baixa ou até mesmo inexistente.

Vale lembrar que o salário é acordado antes mesmo do primeiro dia de trabaho e o profissional concorda em aceitar aquelas condições. Entretanto, quando a criatividade começa a adoecer, ele volta a se questionar se aquilo realmente vale a pena. Começar a fazer atividades que não lhe competem podem trazer um comprometimento para empresa como qualidade de produção, satisfação entre a equipe, dentre vários outros.

É nesse processo que a falta de confiança no profissional criativo cresce e muitas vezes os ex-empregados (que hoje são donos de seus próprios negócios) acabam comentendo os mesmos erros. É preciso parar de aplicar regras e equacionar os anseios dos funcionários com os de seus contratantes . É necessário, antes de tudo, conhecer as pessoas que pretende-se empregar. Da mesma forma que a sua empresa não ‘contrata qualquer um’, um criativo também não doa seu talento para ‘qualquer empregador’.

Nessa área, mais do que salário, a chave mágica para abrir a mente é: motivação!

 

 

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