O caso do trabalhador que perdeu seus direitos por causa do Facebook*

Carlos tem 30 anos e trabalhouna área de produção em uma multinacional durante sete anos. Ficou afastado do emprego por seis meses por problemas psiquiátricos ocasionados por assédio moral sofrido na empresa. No final da licença, quando retornou às atividades, foi demitido.

Imediatamente, como qualquer trabalhador indignado faria, Carlos procurou um advogado para assegurar seus diretos, principalmente devido ao adoecimento mental e comprometimentos que a depressão havia lhe causado até na vida pessoal. A perícia forense provou em um laudo judicial que o adoecimento de Carlos de fato havia acontecido a partir da vivência profissional nessa empresa – e acreditem: provar questões psicológicas no âmbito do trabalho não é assim tão fácil.

Bom, com a prova da perícia, causa ganha, certo? Era o que Carlos (e o advogado dele) também achavam. Durante a audiência, o advogado da empresa – que estava do lado oposto de Carlos, questionou se o trabalhador já não havia tido problemas psicológicos antes do período em que esteve na multinacional. Obviamente, Carlos rebateu com a indignação de ter desenvolvido um sintoma nunca imaginado após os assédios sofridos na vida laboral.

Entretanto, o juiz resolveu reconsiderar o processo após o advogado da empresa mostrar uma prova via print screen (como uma foto da tela) do Facebook de Carlos, com uma postagem antiga, onde ele lamentava questões do matrimônio e desabafava abalos emocionais com a esposa. Ou seja, o argumento passou a ser então, que antes mesmo do trabalho, Carlos apresentava uma pré disposição para desenvolver a doença da depressão, e que a empresa nada tinha a ver com aquilo.

Conclusão: o juiz entendeu que o trabalho causou piora no quadro, mas que não podia dar ganho de causa, com base no que o próprio trabalhador publicava e lamentava em sua rede social.

Moral da história: cuidado com o que você publica, de novo. Não é só por uma questão de recrutamento e para manter a ‘boa imagem’ para um futuro empregador, mas também para a sua própria segurança e pela relação que você tem com o seu trabalho.

Quem poderia imaginar que uma postagem pessoal poderia levar a empresa a uma prova contra o trabalhador? Lembre-se: o Facebook não é divã! Use-o a seu favor!

 * Essa é uma história verídica de um caso que aconteceu na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O dados pessoais do personagem foram modificados com intuito de preservar a fonte.

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