O 11 de setembro de 2001. Se tivessem as redes socais?

Essa semana, mais precisamente na terça-feira (11/9), foi dia de lembrar onde estávamos na manhã da mesma data nos 11 anos anteriores. A catástrofe do atentado terrorista às torres gêmeas dos EUA marcaram o que no jornalismo é chamado de Agenda Setting – acontecimentos que marcam a agenda do público.

Lembro que eu estava em sala de aula, precisamente na 8ª série do ensino fundamental, quando as mães de poucas pessoas da sala que tinham celular ligaram para os filhos dizendo: “liguem os rádios. O Estados Unidos estão em guerra”. Esses acontecimentos marcam a nossa história e são responsáveis por nos lembrar de detalhes específicos de uma data e não de outra. Impressionante como a maioria das pessoas lembram exatamente a seqüencia dos acontecimentos do fatídico 11 de setembro com detalhes.

O mesmo aconteceu com a morte do Ayrton Senna, de Getúlio Vargas, o fim da 2ª guerra, o final daquela copa do mundo, dentre outros momentos nacionais e internacionais que entraram para os livros de história.

A provocação que pretendo trazer para essa semana é saber por quanto tempo esse conceito de Agenda Setting permanecerá, uma vez que a enxurrada de informações tem tornado o filtro de agenda de informação pública cada vez mais descartável. Dos últimos acontecimentos midiáticos, lembro que estava no Facebook vendo as pessoas comentando… e nada mais. Não lembro o que fiz depois a não ser onde eu estava: na internet.

Os mais radicais diriam que a nossa memória não consegue abstrair tanta informação e já perdemos a noção do mais importante para o menos relevante. Entretanto, pelo que parece, nosso “filtro” virou-se para os virais da internet. Lembra-se do viral “Luiza que foi pro Canadá”?, pois é, nessa época várias piadas foram feitas com as Luizas e o marketing de oportunidade aproveitou a deixa para presenteá-las.

Há o contraponto. Os acontecimentos midiáticos podem ganhar ainda mais visibilidade através da disseminação nas redes sociais. A reflexão é: os jornais definem o foco midiático ou a internet sugere pautas para jornais nacionais veicularem o que de fato pode ser considerado um marco histórico?

Parei para pensar essa semana se naquele 11 de setembro de 2001 as mídias sociais estivessem tão acessíveis como são hoje. Quantos vídeos não teriam sido disseminados e, talvez, hoje a gente só se lembrasse de correr atrás dos furos para soltar primeiro em nossos canais para ampliar nosso capital social. Talvez os boatos tivessem sido desmistificados antes mesmo da apuração das rádios e televisões locais e mundiais.

Curioso pensar nisso, não? O que acham?

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