Precisamos valorizar o ser humano, não o usuário

Marcar e desmarcar compromissos nunca foi tão fácil. Aniversários só são lembrados graças ao Facebook. Números de telefone? Não são mais necessários lembrar, quiçá ligar, sendo que uma mensagem Inbox resolve um assunto em tempo real.

Já virou clichê falar que estamos vivendo na era do descartável, que o contato imediato e simultâneo enfraquece os laços fortes estabelecidos antes pelas redes sociais físicas. Tornamo-nos vulneráveis ao excesso de informação e o post de um antigo parece ser apenas “mais um”. Isso soa bastante pessimista e ultrapassado, não? O fato é que a tecnologia já era, e nós precisamos voltar a valorizar as pessoas. É isso que está faltando para as estratégias serem de fato efetivas.

Por outro lado, as redes sociais aproximam pessoas e formam novos laços que jamais seriam possíveis simplesmente pelo contato físico.

Vulneráveis ou descatáveis?

Pensando nisso, a comunicação das empresas insiste em ser voltada para a “massa”. Há tempos que promoções e brindes em troca de “likes” e “retuites” não engaja os usuários. Em uma etapa de planejamento e divulgação instantânea a estratégia ainda funciona, mas em um segundo momento é preciso tratar o usuário como ser humano. Várias campanhas valorizam o contexto e a história de vida de seus fãs, mas ainda falta um relacionamento.

Essa semana vi uma frase muito pertinente divulgada e disseminada pelo Scup no Facebook que dizia o seguinte:

Isso quer dizer que vamos ter que conversar um a um com cada usuário? Não. Mas se quisermos engajar, precisamos tratá-los como seres humanos. O consumo não é mais exercido simplesmente pela publicidade, mas no valor que a marca dá para a criatividade ou reconhecimento pela participação de alguém. Não é novidade que o boca boca na Internet vende muito mais (ou faz alguém desistir de uma compra) do que um site bonito.

Portanto, além de um site bom que atenda o que o seu cliente precisa, trate-o como ser humano e fidelize-o.  Escute-o nas redes sociais, dê destaque a opinião dele e trate-o muito mais do que como um possível consumidor, mas como um formador de opinião e possível disseminador da sua marca.

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Candidatos usam games e interatividade com cidadãos para campanha eleitoral nas redes sociais

Candidatos usam games e interatividade com cidadãos para campanha eleitoral nas redes sociaisFoi dada a largada. As eleições municipais começaram em todo país e esse ano os candidatos vieram com tudo para investir em campanhas criativas nas redes sociais para atrair a atenção dos eleitores. O destaque vai para os candidatos de São Paulo, que estão apostando tudo nos novos canais de comunicação que extrapolam o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio.

O site do José Serra aposta na linguagem “high-tech” como antídoto para críticas dos adversários. A página é adaptada para tablets e tem jogos disponibilizados para smartphones. A grande atração, que já virou umamania de Serra em suas andanças pela cidade, é o Instagram. O site possibilita, ainda, que o internauta faça downloads de avatares, ringtones e músicas, como o jingle do tucano – uma paródia do hit sertanejo “Eu quero tchú, eu quero tchá”. Outra atração do site de Serra é o Jogo do Tucaninho, aplicativo em que o usuário conduz um tucano “em adorável passeio pelos céus de São Paulo” e tem de desviar de obstáculos e alimentá-lo durante o percurso.

O petista Fernando Haddad também lançou seu site logo no primeiro dia oficial de campanha. A página tem forte apelo na interatividade, apostando em imagens e vídeos. Também há as seções “Fala.SP”, com depoimentos de cidadãos sobre problemas da cidade, e o “Blog H”, assinado pela equipe de comunicação da campanha.

O candidato Russomanno confia em sua facilidade no contato com o público para continuar subindo nas pesquisas e também aposta no contato direto e imediato pela internet. Seu site pessoal foi reformulado e se transformou na página oficial da campanha. Ele  também aposta no Twitter pelo qual iniciou uma convocação junto aos eleitores para que postassem mensagens de apoio à candidatura utilizando a hashtag #russomannoeh10.

O candidato do PMDB, Gabriel Chalita, se coloca em contato com praticamente todas as mídias sociais (Twitter, Facebook, YouTube, Flickr e Pinterest). Na página do peemedebista, o internauta tem um canal exclusivo para que fale sobre os problemas de seu bairro.

A candidata do PPS, Soninha Francine, que foi coordenadora da campanha digital de José Serra à Presidência da República em 2010 e é usuária ativa das redes sociais, concentra as informações sobre sua segunda campanha à Prefeitura em seu site.  A página tem vídeos com a candidata e convida os eleitores a fazer parte de um cadastro de e-mails para participar da mobilização. Há a seção “Pergunta que eu respondo!”, em que Soninha fica um contato direto com a população, assim como faz por meio de seu perfil no Twitter.

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, candidato do PDT, fez de seu site de campanha o principal instrumento de comunicação com os eleitores. Na página são publicados vídeos, galerias de fotos e notícias sobre o candidato e o usuário ainda pode fazer dowloads do jingle da campanha e de banners de Paulinho para publicar em suas páginas e divulgar aos amigos.

O candidato do PSOL, Carlos Gianazzi, com um tempo muito curto na TV, aposta basicamente na internet e nas redes sociais para alavancar sua campanha. No site oficial há vídeos e notícias sobre o deputado estadual, além de seu jingle e da agenda política. Gianazzi está presente no Twitter, no Facebook, no Google+ e no YouTube.

A inserção nas mídias digitais não é exclusividade dos candidatos à prefeitura de São Paulo. Até mesmo os vereadores tem extrapolado o tempo que tem nas mídias tradicionais para mobilizar os eleitores, estratégia que vem sendo utilizada desde 2010. Vale ressaltar que as pesquisas e o monitoramento dessas redes pelas equipes das campanhas são fundamentais para medir aceitação ou rejeição do candidato. A avaliação do retorno do público é essencial para traçar os próximos passos das campanhas e planejar novas estratégias.

Outra questão importante a ser levada em conta no período eleitoral são os debates que até então eram decisivos na televisão. Agora eles são comentados em tempo real e a opinião pública exposta nas mídias digitais é que pautam a tendência para o vencedor.Se candidatos de outras cidades ainda não pensaram nisso, tomara que se espelhem nos candidatos de São Paulo e que as equipes fiquem de olho no monitoramento dessas campanhas.